O problema que o fit test resolve
Rostos são diferentes. O mesmo respirador que veda perfeitamente em um trabalhador pode deixar uma fresta na lateral do nariz de outro. Por essa fresta, o ar contaminado entra sem passar pelo filtro, e o usuário nem percebe. A empresa comprou o EPI certo, entregou com ficha assinada, e mesmo assim o trabalhador está desprotegido.
O fit test, ou ensaio de vedação, confere se a combinação entre aquele rosto e aquele modelo e tamanho de respirador funciona. É uma das etapas do Programa de Proteção Respiratória.
Como funciona o método qualitativo
No ensaio qualitativo, o trabalhador coloca o respirador e entra em um capuz de teste. Uma solução com sabor característico, doce (sacarina) ou amargo (benzoato de denatônio), é nebulizada dentro do capuz. Se a vedação estiver boa, ele não sente o gosto. Se sentir, há vazamento.
- Teste de sensibilidade. Sem respirador, o trabalhador confirma que consegue perceber o sabor da solução.
- Colocação do respirador. O usuário ajusta a peça como faz no dia a dia, e o avaliador confere a colocação.
- Exercícios. Dentro do capuz, ele respira normal e profundamente, vira a cabeça, fala em voz alta e se curva, simulando movimentos do trabalho.
- Resultado. Se não perceber o sabor em nenhum exercício, o respirador é aprovado para aquele usuário. Se perceber, testa-se outro tamanho ou modelo.
- Registro. O resultado é documentado com o modelo, o tamanho e a data.
Quando o qualitativo é suficiente
O método qualitativo é indicado para respiradores do tipo peça semifacial, como as máscaras filtrantes descartáveis e as semifaciais com filtros. Para peças faciais inteiras ou situações de maior risco, o programa pode exigir o ensaio quantitativo, feito com instrumento de medição. A escolha do método segue as orientações técnicas do PPR.
Quem precisa passar pelo ensaio
- Todo trabalhador que usa respirador com vedação facial de forma regular.
- Novos usuários, antes de começar a usar o equipamento.
- Usuários que trocaram de modelo ou de tamanho de respirador.
- Quem teve mudança relevante no rosto, como perda ou ganho grande de peso, cirurgia facial ou tratamento dentário extenso.
- Periodicamente, conforme a frequência definida no programa.
Peça ao trabalhador para vir barbeado. Barba, cavanhaque grosso ou costeleta na área de contato reprovam o ensaio e, mais importante, impedem a proteção no dia a dia.
Erros que vemos com frequência
- Um modelo para todos. Comprar um único tamanho de respirador para a equipe inteira quase garante que alguém fique sem vedação.
- Teste feito e esquecido. A empresa troca de fornecedor para economizar e não repete o ensaio com o novo modelo.
- Sem treinamento. O usuário passa no teste, mas no dia a dia coloca o elástico de forma errada. O ensaio também serve para ensinar a colocação.
- Saúde não avaliada. O respirador aumenta o esforço para respirar. O médico deve avaliar se o trabalhador tem condições de usá-lo, e a espirometria pode entrar nessa análise.
Verificação de vedação no dia a dia
O ensaio não termina na sala de teste. Cada vez que coloca o respirador, o usuário deve fazer a verificação de vedação, com pressão positiva e negativa, conforme orientação do fabricante. Isso leva segundos e mostra se a peça foi bem ajustada naquele dia.
O que a empresa recebe
- Registro individual do ensaio, com modelo, tamanho, método e resultado.
- Indicação do respirador aprovado para cada usuário.
- Subsídio para o PPR e para a gestão de EPI.
Sempre que possível, o fit test é feito no mesmo atendimento dos exames ocupacionais. Agende pelo WhatsApp (62) 3661-0052, de segunda a sexta, das 7h30 às 17h, e informe os modelos de respirador usados pela empresa.