Por que a classificação vem primeiro
Um lodo de estação de tratamento, uma borra de retífica ou uma poeira de exaustor podem ser inofensivos ou podem exigir aterro especial, coprocessamento ou incineração. A diferença no custo e no risco é grande. Sem classificação, a empresa fica entre dois erros: pagar caro tratando como perigoso o que não é, ou correr risco legal mandando como comum algo perigoso.
A ABNT NBR 10004 é a norma brasileira de referência para essa avaliação. Ela orienta a identificação do processo que gerou o resíduo, de seus constituintes e de suas características, e conclui se o material é perigoso ou não perigoso, com as subdivisões previstas na versão vigente da norma.
O que a norma avalia
- Origem: qual atividade, máquina ou etapa gera o resíduo e com quais insumos.
- Listagens: se o resíduo ou seus constituintes constam das listas de resíduos perigosos da norma.
- Características: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.
- Ensaios complementares: quando necessários, análises em laboratório seguindo as normas de amostragem e de ensaio associadas.
Etapas do nosso trabalho
- Entendimento do processo. Visitamos o ponto de geração e levantamos fichas de dados de segurança dos produtos usados.
- Avaliação preliminar. Comparamos o resíduo com as listagens e decidimos se a classificação pode ser concluída sem ensaio.
- Amostragem. Se forem necessários ensaios, planejamos a coleta representativa e enviamos ao laboratório.
- Interpretação. Analisamos os resultados frente aos critérios da norma.
- Laudo. Emitimos o documento de classificação com as orientações de manejo e destino.
Ficha de dados de segurança ajuda muito. Muitas vezes a resposta já está na composição dos produtos usados. Se os seus fornecedores não entregam a ficha atualizada, veja o serviço de FDS.
Resíduos que mais pedem classificação
| Resíduo | Setor típico |
|---|---|
| Lodo de estação de tratamento de efluentes | Indústrias de alimentos, bebidas, lavanderias |
| Borra de tinta e solventes | Pintura industrial, funilaria |
| Pó de exaustão e varrição de produção | Metalurgia, moveleiro, cerâmica |
| Areia de fundição e escórias | Fundições |
| Solo removido de área com vazamento | Postos, oficinas, áreas de tancagem |
No caso de solo possivelmente contaminado, a classificação costuma vir junto com a análise de solo. Para lodo de tratamento, os dados do laudo de efluentes também ajudam a entender o material.
Quando a classificação precisa ser refeita
Um laudo de classificação retrata o resíduo de um processo em um momento. Se algo muda na origem, a conclusão pode mudar também. Situações que pedem revisão:
- troca de matéria-prima, de tinta, de solvente ou de produto de limpeza usado na produção;
- nova máquina ou nova etapa no processo que gera o resíduo;
- mistura de resíduos que antes eram armazenados separados;
- exigência de um novo destinador, que pode pedir ensaios próprios;
- atualização da norma ou de critérios do órgão ambiental competente.
Manter a classificação atual evita a situação em que o destinador recusa a carga na portaria, com o caminhão já carregado.
Como o laudo é usado depois
O laudo de classificação alimenta o PGRS, define a descrição correta no MTR e é exigido por muitos destinadores antes de aceitar a carga. Também costuma ser pedido no licenciamento e em auditorias de clientes.
Em empresas com muitos resíduos diferentes, priorizamos os de maior volume ou maior dúvida. Assim o investimento em ensaios vai primeiro para onde o impacto no custo e no risco é maior.
Entregas
- Laudo de classificação por resíduo, assinado por profissional habilitado.
- Laudos de laboratório anexados, quando houver ensaios.
- Recomendações de acondicionamento, armazenamento e destinação.
- Indicação de quando a classificação deve ser revista.