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MT8Saúde Ocupacional

Exames complementares

Ruído no trabalho: audiometria, protetor e PCA na prática

A perda auditiva por ruído é lenta, indolor e irreversível, e por isso costuma ser percebida tarde. Veja como avaliação, protetor, audiometria e o PCA se encaixam para proteger o trabalhador e a empresa.

13/10/2026 · 5 min de leitura

Um risco que não dói

Quem trabalha ao lado de um compressor, de uma serra ou de uma linha de envase muitas vezes diz que "já se acostumou". Esse acostumar é justamente o problema. A exposição repetida a ruído elevado lesa as células do ouvido interno aos poucos. No começo, a perda atinge frequências que não atrapalham a conversa, e a pessoa não percebe. Quando percebe, a lesão é permanente.

Além da surdez, o ruído está ligado a zumbido, irritabilidade, dificuldade de concentração e mais chance de acidentes, porque o trabalhador deixa de ouvir alarmes e avisos.

As quatro peças do controle

O controle do ruído não é um documento só. São quatro peças que precisam conversar:

PeçaPergunta que respondeOnde aparece
Avaliação da exposiçãoQuanto ruído cada função recebe ao longo da jornada?PGR e laudos de agentes físicos
Medidas de controleO que dá para reduzir na fonte e no caminho?Plano de ação do PGR
Protetor auricularComo proteger quem continua exposto?Gestão de EPI e treinamento
AudiometriaA audição dos expostos está sendo preservada?PCMSO

O PCA (Programa de Conservação Auditiva) é o que amarra essas peças com metas, responsáveis e análise periódica dos resultados.

Passo 1: medir antes de decidir

A avaliação quantitativa é feita com dosímetro preso ao trabalhador ou com medições por ponto, dependendo da situação. O resultado é comparado com os critérios da NR-15 e da NR-9, conforme a norma vigente, e indica três coisas: se há exposição que exige ação preventiva, se há insalubridade e quais funções entram na audiometria.

Medir só no setor, sem olhar a rotina, é um erro comum. Um mecânico que passa parte do dia na oficina e parte na linha tem exposição diferente de quem fica o tempo todo em um só lugar. A avaliação de agentes físicos deve refletir a jornada real.

Passo 2: reduzir na fonte

O protetor auricular é a última barreira, não a primeira. Antes dele, a empresa deve avaliar medidas como:

  • Manutenção de máquinas: rolamentos gastos e peças soltas aumentam o ruído.
  • Enclausuramento ou barreiras acústicas em compressores, moinhos e geradores.
  • Calços e amortecedores para reduzir vibração transmitida às estruturas.
  • Mudança de layout, afastando postos de trabalho das fontes.
  • Rodízio de tarefas para reduzir o tempo de exposição.
  • Critério de ruído na compra de equipamentos novos.

Passo 3: protetor que protege de verdade

O protetor certo é o que o trabalhador usa direito o tempo todo da exposição. Para isso:

  1. Ofereça mais de um modelo, para atender ao conforto e ao formato do canal auditivo.
  2. Treine a colocação, principalmente do protetor de inserção, que costuma ser usado só "na entrada" do ouvido. O treinamento de NR-6 inclui essa prática.
  3. Registre entregas e trocas, e tenha estoque para reposição imediata.
  4. Observe o uso no dia a dia. Retirar o protetor por poucos minutos em ambiente muito ruidoso já compromete boa parte da proteção.

Passo 4: audiometria no ritmo da NR-7

Para quem está exposto a níveis de pressão sonora que exigem controle, a NR-7 estabelece a audiometria na admissão, seis meses depois, e então anualmente, além do exame na demissão, conforme a norma. O médico do PCMSO pode reduzir o intervalo quando houver alteração.

O exame precisa ser feito em cabine adequada, por profissional habilitado, com repouso auditivo prévio. O valor da audiometria está na comparação: o primeiro exame vira referência, e cada novo resultado é comparado com ele. Por isso o exame admissional é tão importante. Sem ele, a empresa não sabe se a perda já existia. Veja como funciona a audiometria ocupacional.

Olhe o grupo, não só o indivíduo. Quando vários trabalhadores do mesmo setor mostram piora nas audiometrias, o problema não é do ouvido de cada um: é a exposição ou o protetor daquele setor. Essa leitura coletiva é parte central do PCA.

O que acontece quando surge uma alteração

Uma piora entre um exame e outro não significa automaticamente doença ocupacional. O médico avalia o histórico, outros fatores e a evolução. Mas a alteração deve gerar ação:

  • Revisar o tipo e o uso do protetor daquele trabalhador.
  • Verificar se a exposição mudou no setor.
  • Ajustar a frequência dos exames.
  • Orientar o trabalhador e registrar a conduta no prontuário.

Ruído além da fábrica

Quando se fala em ruído, pensa-se logo em indústria pesada. Mas a exposição aparece em lugares menos óbvios, e esses casos costumam ficar fora do controle:

  • Cozinhas industriais e lavanderias, com exaustores, máquinas de lavar e centrífugas.
  • Academias e casas de eventos, com música alta durante toda a jornada.
  • Oficinas mecânicas e de funilaria, com lixadeiras e compressores.
  • Marcenarias, serralherias e gráficas.
  • Agronegócio, com tratores, secadores e moegas.
  • Centrais de atendimento, onde o fone de ouvido entra na análise.

Nesses ambientes, uma medição simples já mostra se é preciso incluir a função no programa de conservação auditiva.

Ruído e os documentos da empresa

A exposição ao ruído aparece em vários documentos ao mesmo tempo: no inventário do PGR, no PCMSO, no laudo de insalubridade, no LTCAT, no PPP e no evento S-2240 do eSocial. Quando esses documentos dizem coisas diferentes, como uma medição no laudo e outra no LTCAT, a empresa fica exposta em ações trabalhistas e previdenciárias. Manter tudo alinhado é parte do trabalho.

Um laudo bem feito, que descreve a metodologia, o equipamento calibrado e as condições da medição, é a base para que todos os outros documentos digam a mesma coisa.

Para colocar em prática

Comece pela medição, priorize a redução na fonte, escolha e treine o uso do protetor, faça a audiometria no ritmo da norma e analise os resultados em grupo. A MT8 organiza o PCA, realiza ou organiza as audiometrias do PCMSO e integra os dados aos laudos. Agende pelo WhatsApp (62) 3661-0052.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Se o trabalhador usa protetor, ainda precisa de audiometria?

Sim. A audiometria é o que mostra se a proteção está funcionando na prática. Protetor mal colocado ou usado só parte do tempo deixa a exposição passar, e o exame é a forma de perceber isso cedo.

Precisa ficar sem ruído antes da audiometria?

Sim. O exame exige um período de repouso auditivo antes da realização, para não confundir uma alteração temporária com perda permanente. A orientação é passada no agendamento.

O que acontece se a audiometria mostrar perda auditiva?

O médico do PCMSO avalia se a alteração tem relação com o trabalho, orienta o empregado e indica as medidas: revisão da exposição, do protetor e da frequência dos exames. Quando há suspeita de doença ocupacional, há procedimentos próprios de registro.

Próximo passo

Conte o que a sua empresa precisa. A gente organiza o resto.

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