Uma enzima que funciona como alarme
A colinesterase é uma enzima que controla a comunicação entre nervos e músculos. Os inseticidas organofosforados e carbamatos agem bloqueando essa enzima nos insetos, e fazem o mesmo no ser humano quando absorvidos. A queda da colinesterase no sangue é, portanto, um sinal direto de que o produto está agindo no organismo do trabalhador.
O monitoramento é previsto no Anexo I da NR-7. No meio rural, ele se conecta ao PGRTR, que identifica as exposições do trabalho agrícola conforme a NR-31.
Os dois exames e o que cada um mostra
| Exame | Característica | Uso principal |
|---|---|---|
| Acetilcolinesterase eritrocitária | Medida nas hemácias; cai e se recupera mais devagar | Reflete melhor a exposição repetida ao longo da safra |
| Colinesterase plasmática | Medida no plasma; responde mais rápido | Ajuda a perceber exposições recentes e intoxicações agudas |
O médico do PCMSO define qual exame usar, ou se usa os dois, conforme os produtos aplicados.
Quem deve ser acompanhado
- Aplicadores com pulverizador costal, tratorizado ou em aviação agrícola.
- Trabalhadores que preparam a calda e fazem a mistura dos produtos.
- Quem lava equipamentos e embalagens.
- Funcionários de armazéns, revendas e transportadoras que manuseiam os produtos.
- Trabalhadores que reentram na lavoura logo depois da aplicação.
O calendário que faz o exame funcionar
- Exame de base. Antes do início das aplicações, com o trabalhador sem exposição recente. É a referência individual.
- Exames durante a safra. Na frequência definida pelo médico, de acordo com a intensidade e o tipo de aplicação.
- Exame após episódio suspeito. Sempre que houver sintomas ou um incidente, como vazamento ou aplicação sem proteção.
- Comparação. Cada resultado é comparado com a base do próprio trabalhador, não só com a faixa do laboratório.
Carbamatos pedem atenção ao horário. A inibição causada por eles se desfaz mais rápido. Se a coleta demorar muito depois da exposição, o exame pode não mostrar o que aconteceu. Combine o momento da coleta com o médico.
E quem já começou a safra sem exame de base?
Acontece com frequência. Nesse caso, o médico pode pedir uma coleta depois de um período sem aplicações, como no fim da safra ou numa pausa longa, para servir de referência futura. Enquanto isso, os resultados são comparados com os valores do laboratório, com mais cautela na interpretação.
Sinais que não podem ser ignorados
O exame é um complemento. Sintomas durante ou depois da aplicação exigem atenção imediata, mesmo que a última dosagem esteja normal: suor e salivação excessivos, visão turva, pupila muito pequena, náusea, cólica, tremores e fraqueza muscular. Nesses casos, o trabalhador deve sair da área, tirar a roupa contaminada, lavar a pele e procurar atendimento médico. A suspeita de intoxicação relacionada ao trabalho também exige a emissão da CAT.
O exame não substitui a proteção
Resultados alterados em vários trabalhadores costumam ter as mesmas causas: EPI incompleto ou mal conservado, respirador sem vedação adequada, lavagem de roupa contaminada em casa e reentrada na área antes do prazo do rótulo. Rever esses pontos, com fit test e treinamento, resolve mais que repetir exames.
O que o produtor ou a empresa recebe
- Resultados de base e de acompanhamento por trabalhador.
- Interpretação médica comparando com a referência individual.
- Conclusão no ASO e dados para o S-2220.
- Orientação sobre afastamento temporário da exposição, quando necessário.
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